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PLANTAS MEDICINAIS

PRODUÇÃO AZEITE DE BAGA

No passado, o processo de produção do azeite-de-louro decorria a frio, sendo as bagas submetidas apenas à prensagem. Um procedimento que deixou de ser utilizado pois os rendimentos eram muito inferiores, embora a qualidade do azeite, assim obtido, fosse, provavelmente, superior.

Na medicina popular, o azeite-de-louro é conhecido como um "remédio milagroso" para quase todos os males. Apresenta um leque variado de frentes de aplicação internas e externas, nomeadamente contra o reumatismo, como depurativo e cicatrizante, contra males do fígado ou problemas de circulação sanguínea, de garganta, de estômago ou em casos de gangrena ou tétano. É utilizado também por massagistas em aplicações externas. A dose diária recomendada é 1 cápsula ou meia colher de café, de preferência ingerida em jejum. No entanto, o "tratamento", diz o povo, não deve exceder os nove dias consecutivos. Quando administrado em excesso apresenta efeitos secundários bastante acentuados, conduzindo a situações de diarreia prolongada ou náuseas. Há mesmo quem tivesse de recorrer a tratamento hospitalar.

AS BAGAS DO LOUREIRO

Bagas de Louro

As bagas do loureiro são também um dos alimentos preferidos do pombo trocaz (Columba trocaz): uma ave que vive principalmente nos vales do interior da ilha, sendo fácil de reconhecer pelo círculo prateado que apresenta no pescoço. Embora ainda não provado cientificamente, há quem considere que o pombo trocaz dispersa as sementes dos frutos do loureiro desempenhando o papel de semeador: uma função relevante na expansão da Laurissilva.


FOLHAS E CAULES DO LOUREIRO

Além das bagas, as folhas e os caules do Laurus azorica têm aplicações no quotidiano dos madeirenses.

Folhas de Louro

As folhas do louro são utilizadas em infusão, como anticatarro e ainda como sudorífico. Quando secas, as folhas são usadas, em doses moderadas, para fazer chá, pois de acordo com a medicina caseira alivia as dores de cabeça. Contudo, a grande aplicação acontece, sobretudo, na cozinha madeirense como aromatizante. Em todos os casos, há o cuidado de retirar as nervuras da folha de louro, pois a maior parte dos utilizadores suspeita da existência de propriedades cancerígenas.
Os ramos do loureiro, ainda verdes, são igualmente utilizados na culinária madeirense, servido de "espeto" nas tradicionais espetadas de carne da Ilha da Madeira.

TRADIÇÃO E CIÊNCIA

Embora haja neste uso caseiro muita superstição é indesmentível a eficácia em certas doenças pelo que se justifica a realização de estudos específicos que levem a conhecer o fundamento científico da tradição.
Alguns investigadores têm vindo a estudar mais pormenorizadamente esta planta especialmente ao nível da composição química e actividade biológica de alguns componentes. O objectivo é descobrir os princípios activos presentes em cada uma das partes morfológicas do Laurus azorica, isto é, identificar os compostos ou grupos deles que podem provocar reacções nos organismos humanos.

 

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Cesário Camacho 06-08