FESTAS E TRADIÇÕES
» Os tapetes de flores
Em algumas festas ainda se conserva a tradição de enfeitar os caminhos com tapetes de flores, onde logo depois passa a procissão. Flores e pétalas são agrupadas por cores
usando uma espécie de caixilhos de madeira com os mais variados padrões. Um trabalho fabuloso mas que obriga a várias horas de trabalho.
» As romarias e os "brincos"

São os aspectos ligados à música que marcam a diferença nos arraiais madeirenses. Diz o povo que "festa sem romaria não é festa" e é verdade. Grupos de pessoas, residentes ou de fora, juntam-se para festejar em conjunto um determinado acontecimento ao ritmo de música popular acompanhada por instrumentos tradicionais. Os instrumentos que aparecem podem variar muito, embora o acordeão esteja a monopolizar as festas madeirenses. Mesmo assim, ainda podemos ouvir o som do rajão, viola de arame, o bombo, as castanholas, o reco-reco, os ferrinhos, entre outros.
Há quem aproveite materiais que seriam lixo, para dar outro som às festividades. Por exemplo, um bidão de plástico vazio pode "transformar-se" num bombo.
» O "brinquinho"
É um instrumento musical típico do folclore madeirense. É composto por bonecos de pau (adornados com o traje tradicional da região), castanholas e fitas. Estes elementos estão dispostos numa cana de roca e são agitados verticalmente pelo instrumentista. O "brinquinho" tornou-se popular quando começaram a surgir os primeiros grupos folclóricos. Amplifica o som, em relação ao produzido pelas castanholas e além do mais é animado prendendo facilmente a atenção.
» O despique
Sempre em roda, cada um na sua vez lança uma quadra (seguindo sempre pela direita). Regra geral, cada despicador canta apenas uma quadra, mas por vezes junta mais ou ou dois versos ou mesmo uma nova quadra. O que se segue deve responder de forma a completar a rima e o assunto. Quando acaba de cantar, espera novamente pela vez (demora mais ou menos tempo em função do número de despicadores). Quando volta a ter palavra pode responder aos ataques sofridos ou lançar novas provocações.
Eduardo Pereira descreve o ambiente no segundo volume do livro lhas de Zarco da seguinte forma: “ao som da viola de arame do rajão ou da braguinha, o povo canta ao desafio em serões de aldeia, soalheiros e romarias, improvisando certames poéticos...".