Vimes e Bordado Madeira
Obra de vimes
A obra de vimes foi uma das principais indústrias da Madeira. A Camacha e a Boaventura (concelhos de Santa Cruz e S.Vicente, respectivamente) foram os principais centros de produção.
A par dos cestos agrícolas (utilizados nas vindimas por toda a ilha), há outros de utilidade doméstica, de todos os tamanhos e feitios. Um ramo também importante da obra de vime é a construção dos "carros do Monte". A par destes artefactos, existem ainda peças de mobiliário de todo o género, em especial cadeiras, canapés e mesas, bem como outras peças sem utilidade prática, que servem apenas como motivo decorativo.
Antes de serem usados para fazer cestos ou mobiliário, os vimes são fervidos para lhes conferir elasticidade e torná-los mais fáceis de manejar. É essa fervura que lhes dá uma cor acastanhada, em vez do branco de origem.
A maior parte da produção é hoje exportada, principalmente para a Europa e para os Estados Unidos.
Bordados
Os bordados aparecem pela primeira vez na ilha da Madeira por alturas de uma exposição industrial realizada no Funchal. Alguns negociantes ingleses estabelecidos no Funchal exportavam bordados para a Inglaterra e, no início, os bordados eram vendidos apenas a estrangeiros.
Os bordados da Madeira eram, na sua maioria, feitos com linha azul. Com a evolução desta indústria, passaram a bordar com linha branca, directamente sobre os tecidos, que têm gravados os respectivos desenhos.
As casas comerciais especializadas em bordados fornecem às bordadeiras tecido já estampado, trabalho feito pelos desenhadores, e depois, quando a casa recebe os bordados da mão das bordadeiras, começa a fase em que são lavados, engomados e consertados. Na segunda fase, os bordados vão para a secção das recortadeiras e em seguida para a das engomadeiras.
Os panos usados na indústria dos bordados são: o linho, a seda natural, o organdy e o algodão. Há várias cores de linho, mas as mais usadas são o branco e o cru, que se destinam a toalhas de mesa.
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:: Galeria :: |

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"Bordadeira"
Rugas na mão e no rosto sulcos de sol e destino
a tecer gosto e desgosto no pano de linho fino.
Nele semeias o grão como em socalco lavrado Na terra são grãos de pão, grãos de sonho no bordado.
São rendas, são rendas canteiros de flores enredos de vida história de amores. São rendas, são rendas meandros de ninho que o jeito dos dedos constrói sobre o linho.
Bordado preso nos olhos como a tela dos teus dias coração atado em molhos de mágoas e alegrias.
Só te resta quando acordas a memória da beleza, que as toalhas que tu bordas aparam pão doutra mesa.
Irene Lucília,
Ilha que é gente
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